terça-feira, 3 de abril de 2012

O sujeito e o autor


O sujeito é uma unidade. As pessoas são subjetivadas desde o nascimento, como ao receber um nome e os presentes que ganha durante sua vida e isso nos torna o sujeito do qual somos agora.
Pecheux define o sujeito para que não haja confusão na hora de explicá-lo. Para Pecheux , um sujeito é assujeitado, não livre, não singular, e ao ser colocado no mundo e subjetivado começa a  criar raízes no mundo, obedecendo suas leis, valores e morais, no fim não somos propriamente livres, pois temos um script a seguir.
Agora vejamos o autor, um autor não é necessariamente um sujeito, por exemplo, se um matemático escreve um livro e na sua introdução escreve sua biografia, este utiliza sua voz, este é um sujeito-autor. Numa obra de ficção temos algo diferente, analisemos Dom casmurro, se Capitu não traiu Bentinho, Machado de Assis é José de Alencar. Com este exemplo, vemos que um autor não dá vida a um personagem que não é ele mesmo, sendo ele completamente diferente do sujeito.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Fator Discursivo


Foucault era interessado nos campos do discurso do homem (como surgiu as ciências da linguagem, econômica...). Assim, observando os discursos e os analisando, Foucalt nos apresenta as unidades discursivas, estas apesar de terem regras são dispersas, essas regras reagem entre si e regem determinados discursos do campo do saber.
Para Pêcheux a economia é um grande fator, e isso nos leva a ter uma formação ideológica, pois envolve a família, nação, sociedade. Todos nós temos uma ideologia, e a partir daí criamos o nosso ponto de vista.
Existe também o interdiscurso. Interdiscurso é quando há duas (ou mais) informações discursivas em um mesmo texto, onde estas têm posições contrárias umas as outras. Interdiscurso, também pode ser a visão contrária a outros autores, contrapondo idéias dominantes.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Analise do Discurso


Um discurso é uma prática social de produção de textos, por ser social e não individual, aqueles que o analisam precisam levar em consideração seu contexto histórico-social e suas condições de produção do texto. Para Maingueneau, o discurso é “uma dispersão de textos cujo modo de inscrição histórica permite definir como um espaço de regularidades enunciativas”. Já Foucault diz “Chamaremos discurso um conjunto de enunciados na medida em que se apóia na mesma formação discursiva... ele é constituído de um número limitado de enunciados para os quais podemos definir um conjunto de condições de existência”.  Toda vez que pronunciamos um discurso, estamos agido sobre o mundo, marcamos uma posição
A analise do discurso então consiste em descobrir o que há por trás das palavras, é entrar no âmago do significado
A origem da palavra discurso está ligada a idéia de movimento, de percurso. Assim os discursos se movem , batem um contra o outro, ora concordando, ora confrontando. Um discurso tem um principio de dialogismo.
Pensemos na dito popular “é dando que se recebe”, notamos que nessa oração não há um objeto direto, cabendo ao leitor interpretar conforme lhe convêm. Na analise do discurso podemos pegar também como exemplo a uma matéria polemica, no começo deste ano houve, num reality show, um suposto caso de estupro, este caso rendeu a mídia diferentes tipos de interpretações do caso, alguns de acordo de que houve um estupro no programa e outros dizendo que foi apenas um mal entendido. Como num tribunal, cada ponto de vista tinha seus próprios meios de persuadir o leitor sobre o caso. Isso é analise do discurso, considerar todas as prováveis causas de um caso.

terça-feira, 13 de março de 2012

Gêneros, campos e cenografia


Podemos chamar de gêneros, as diferentes forma de expressão textual, uma receita de bolo pertence um gênero de texto receita, tem um formato certo de como escrever e diagramar esse tipo de gênero, assim como uma poesia ou um romance tem sua forma, o e-mail, carta, uma conversa telefônica, uma noticia ou uma propaganda cada um desses exemplos são de um gênero diferente. Ao mesmo tempo que a idéia de gênero é simples, ela é complicada de se explicar.
Para ficar mais fácil o entendimento de gêneros, temos que abordar também as idéias de campos e cenografia. O Campo se diz a esfera na qual se insere, por exemplo, qual o intuito do texto, que pode ser uma publicidade, uma ordem de prisão ou uma ata de reunião. Cenografia é o cenário do qual se desenvolve o Campo, que pode ser uma conversa de telefone, uma troca de cartas, entre diversas outras possibilidades. os cenários possuem frame e script.

  • Frame: é um esquema que liga uma palavra a outra, como por exemplo rei, que se liga as palavras: coroa, rainha, principe, etc. Elementos de um todo.
  • Script: é algo que tem um a sequencia dce acontecimentos, como aula, casamento, missa, etc
Vamos exemplificar a questão com o informe publicitário do Week-end. Onde uma amiga conversa com a outra por telefone:

WEEK-END é uma nova refeição emagrecedora que lhe permite dosar seus esforços.
Conforme os quilos que você precisa perder e a rapidez com que deseja perdê-los, você escolhe um regime de um, três ou cinco dias.
WEEK-END existe em duas versões: salgada (sabor legumes) e doce (sabor baunilha).
WEEK-END contém fibras e todos os elementos nutritivos necessários à sua saúde, por isso seu médico ou seu farmacêutico não hesitarão em recomendá -lo.

Neste caso podemos notar que o gênero é um informe publicitário, uma propaganda. O campo é uma conversa telefônica e a cenografia uma conversa telefônica.
Gênero permite a discussão entre as teorias de texto e as teorias do discurso, pois os gêneros, como vimos, são tipos de texto. 

quinta-feira, 8 de março de 2012

Intertextualidade


A maneira mais simples de se explicar um intertexto é a relação de conversa entre dois textos distintos. Contudo, a intertextualidade só funciona quando o leitor tem o conhecimento dos dois textos distintos, um exemplo que podemos utilizar é o poema de Carlos Drummond de Andrade, Poema das sete faces, e suas releituras, como a música Até o Fim de Chico Buarque.
Segue abaixo os dois poemas:


Poema das sete faces
Quando nasci, um anjo torto 
desses que vivem na sombra 
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
As casas espiam os homens 
que correm atrás de mulheres. 
A tarde talvez fosse azul, 
não houvesse tantos desejos.
O bonde passa cheio de pernas: 
pernas brancas pretas amarelas. 
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração. 
Porém meus olhos 
não perguntam nada.
O homem atrás do bigode 
é sério, simples e forte. 
Quase não conversa. 
Tem poucos, raros amigos 
o homem atrás dos óculos e do -bigode,
Meu Deus, por que me abandonaste 
se sabias que eu não era Deus 
se sabias que eu era fraco.
Mundo mundo vasto mundo, 
se eu me chamasse Raimundo 
seria uma rima, não seria uma solução. 
Mundo mundo vasto mundo, 
mais vasto é meu coração.
Eu não devia te dizer 
mas essa lua 
mas esse conhaque 
botam a gente comovido como o diabo. 

Até o fim
Quando nasci veio um anjo safado
O chato do querubim
E decretou que eu estava predestinado
A ser errado assim
Já de saída a minha estrada entortou
Mas vou até o fim
"inda" garoto deixei de ir à escola
Cassaram meu boletim
Não sou ladrão , eu não sou bom de bola
Nem posso ouvir clarim
Um bom futuro é o que jamais me esperou
Mas vou até o fim
Eu bem que tenho ensaiado um progresso
Virei cantor de festim
Mamãe contou que eu faço um bruto sucesso
Em quixeramobim
Não sei como o maracatu começou
Mas vou até o fim
Por conta de umas questões paralelas
Quebraram meu bandolim
Não querem mais ouvir as minhas mazelas
E a minha voz chinfrim
Criei barriga, a minha mula empacou
Mas vou até o fim
Não tem cigarro acabou minha renda
Deu praga no meu capim
Minha mulher fugiu com o dono da venda
O que será de mim ?
Eu já nem lembro "pronde" mesmo que eu vou
Mas vou até o fim
Como já disse era um anjo safado
O chato dum querubim
Que decretou que eu estava predestinado
A ser todo ruim
Já de saída a minha estrada entortou
Mas vou até o fim



Podemos notar a intertextualidade principalmente no primeiro verso dos dois poemas, mesmo com algumas mudanças, vemos que Chico Buarque faz referencia ao poema de Drummond.
Drummond também já esteve na outra face da moeda, intertextualizando o poema de Manuel Bandeira, A balada das mulheres do sabonete Araxá, com seu poema Desemprego.
O intertexto está presente nas mais diversas obras humanas, sejam elas literárias, artísticas ou cinematográficas. Dentre as literárias podemos citar o grande romance de Umberto Eco, O Nome da Rosa, que é basicamente feito de intertextos, incluindo o nome do personagem principal, William de Baskerville, que faz referencia a Sherlock Holmes do romance, O cão dos Baskerville, escrito por Sir Arthur Conan Doyle. No campo artístico, um exemplo é a obra de Hiroshige recriada por Van Gogh como homenagem.

Figura 1 - À esquerda obra de Hiroshige, a direita a obra de Van Gogh

No cinema, podemos ver com maior freqüência e facilidade os intertextos, comédias com sátiras de outros filmes também são intertextos, dentre os filmes podemos citar a série Todo Mundo em Pânico (Scary Movie), Super Heroi (Superhero) e a trilogia Corra que a Polícia vem aí (Naked Gun).

terça-feira, 6 de março de 2012

Função de um dicionário


Durante a aula foi nos dado um exemplo de que o verbete “cigano” tinha como um de seus significados “velhaco”, isso fez com que a comunidade cigana se sentisse ofendida e numa ação contra o dicionário Houaiss “velhaco” deixou de fazer parte dos significados de “cigano”.
O dicionário é um registro da fala, portanto, se o povo usa “velhaco” como sinônimo de “cigano” mudar o significado no dicionário vai apenas destruir um registro da língua da época. 

sexta-feira, 2 de março de 2012

Introdução


O módulo da disciplina Linguagem e Significação terá os resumos de aula, organizados por conteúdos, postados aqui semanalmente. O módulo irá tratar de :

a) Apresentação de algumas posições teóricas e metodológicas relativas às teorias de texto e de discurso. 
b) Práticas de análise de textos variados.
c) estudo de textos breves (com ênfase nas fórmulas) 

Começamos analisando uma pequena piada, que vem de uma tradição oral.
Vejam o exemplo:

P1: Não deixe sua cachorra entrar em casa ela está cheia de pulgas
P2: Lady, não entre na casa, ela está cheia de pulgas.

Vemos que o interlocutor 2 utiliza a oração do interlocutor 1 para a piada. No exemplo acima “ela” é uma anáfora, ou seja que faz referencia a outro significado dentro do texto.